Os Republicanos querem Jerusalém? Herzl prometeu ao Papa, ao Kaiser e ao Sultão deixá-la fora do Estado judaico.

Os candidatos republicanos às eleições presidenciais dos EUA têm prometido, um após o outro, mover a embaixada norte-americana em Israel para Jerusalém, e o primeiro-ministro direitista de Israel, Netanyahu, declarou Jerusalém como capital eterna e indivisível do estado judaico. 

Israel ocupou Jerusalém Oriental em 1967 e anexou-a em 1970. O mundo recusa-se a reconhecer a anexação. Entretanto, Israel promove escavações nos bairros da Cidade Velha para encontrar moedas que demonstrem a presença judaica em tempos antigos – que justifiquem a expulsão de mais palestinianos (br. palestinos) das suas casas.
Todos os planos e projectos internacionais indicam Jerusalém como uma cidade internacional. 
 
Tal como eu assinalei anteriormente, o jornalista e dramaturgo húngaro-austríaco Theodor Herzl (1860-1904), fundador do sionismo político, prometeu a diversos líderes mundiais que Jerusalém seria internacionalizada, no caso dos judeus possuírem a Palestina.

Nos últimos cinco anos da sua vida, Herzl passou pelos escritórios dos homens mais poderosos da Europa, prometendo a extraterritorialidade de Jerusalém.
 
Reli os seus diários e aqui publico estes dez excertos, todos contendo essa promessa, de uma forma explícita e/ou implicita:
 
Retrato de Herzls sobre Ben Gurion
Retrato de Herzls sobre Ben Gurion anunciando o estabelecimento de Israel em 1948.
 
1º) 7 de maio de 1896: O representante do Sultão Abdulhamid II, do Califado Otomano diz a Herzl que o sultão “nunca desistirá de Jerusalém. A mesquita de Omar deve permanecer para sempre nas mãos do Islão (br. Islã).”
“Nós podemos contornar essa dificuldade”, disse. “Vamos extraterritorializar Jerusalém, de modo que não pertença  a ninguém em particular, mas a todo o mundo; e com os Lugares Santos, que serão posse conjunta de todos os Crentes – um grande condomínio de cultura e moralidade”.

Você propõe, então, excluir Jerusalém, Belém e Nazaré, e estabelecer a capital mais ao Norte?  – Sim.

 
2º) 19 de maio de 1896: Herzl encontra-se com o Núncio Papal António Agliardi, em Viena, e oferece a mesma garantia. 
“Exigimos apenas o consentimento das grandes potências, em particular a de Sua Santidade o Papa, então estabeleceremos a República – com a extraterritorialidade de Jerusalém…” 
Agliardi sorriu: “Ele ficará muito satisfeito. Você propõe, então, excluir Jerusalém, Belém e Nazaré, e estabelecer a capital mais ao Norte?” 
“Sim”, respondi.
 
3º) 17 de junho de 1896: Herzl descreve uma reunião com um alto funcionário turco em Constantinopla, onde Herzl ofereceu dinheiro ao Sultão Abdulhamid II em troca da Palestina.
As suas objeções foram o estatuto dos Lugares Santos. Jerusalém deve permanecer incondicionalmente sob a custódia da Turquia. Seria contrário aos mais sagrados sentimentos do povo se Jerusalém fosse entregue. Eu prometi uma extraterritorialidade de longo prazo. Os Lugares Sagrados do mundo civilizado não devem pertencer a ninguém em particular, mas a todos.
 
4º) Berlim, 7 de outubro de 1898. Herzl reúne-se com o conde Philipp Eulenberg, embaixador alemão em Viena:
Mencionei a extraterritorialidade dos Lugares Santos.
 
5º) Potsdam, 9 de outubro de 1898. Narrando o encontro com Friedrich, Grão-Duque de Baden, Herzl prometeu:
Lá [na Rússia] não podemos deixar nenhuma dúvida sobre a extraterritorialidade dos Lugares Santos – extra commercium.
 
6º) Palestina, 31 de outubro de 1898. Herzl visita Jerusalém. Escreve no diário:
Estou firmemente convencido de que uma esplêndida Nova Jerusalém poderá ser construída fora dos muros da cidade velha. A velha Jerusalém permaneceria como Lourdes, Meca e Yerushalyim. Uma linda cidade poderia surgir ao seu lado.

7º)  8 de maio de 1901 A caminho de Budapeste a Viena. O enviado do Sultão Hamid diz a Herzl:
“Você não deve falar com ele sobre o sionismo. Isso é uma fantasmagoria. Jerusalém é tão sagrado para ele como Meca”.
 
8º) São Petersburgo, Rússia, 11 de agosto de 1903. Herzl reúne-se com o conde Witte, ministro das finanças do Czar. Herzl pergunta a Witte o que acha sobre os soldados turcos estarem em Jerusalém.
“Isso é menos intolerável do que se os guardas fossem judeus”, disse o amigo do nosso povo. “
[Herzl responde] “Queremos construir mais para o norte, longe de Jerusalém.”
 
O Papa em Jerusalém
O Papa Benedict XVI discursa em Bethlehem, em 2009.
 
9º) Roma, 23 de janeiro de 1904. Herzl reúne-se com o Cardeal Merry del Val, secretário de Estado do Papa.
“Estamos pedindo apenas a terra profana. Os Lugares Sagrados terão o estatuto de extraterritorialidade”.
[O Cardeal respondeu:] “Ah, mas é praticamente impossível considerá-los separadamente”.
 
10º) Roma, 26 de janeiro de 1904. Herzl encontra-se com o Papa Pio X. Diz o Papa:
“Gerusalemme não era para ser colocada nas mãos dos judeus”. …
[Herzl] “… Mas, Santo Padre, os judeus encontram-se numa situação terrível. .. Precisamos de um território para essas pessoas”.
“Tem que ser Gerusalemme?”
“Nós não estamos pedindo Jerusalém, mas somente a Palestina, a terra secular.”
 
Autor: Philip Weiss
Tradução: sionismo.net
 

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One Response to Os Republicanos querem Jerusalém? Herzl prometeu ao Papa, ao Kaiser e ao Sultão deixá-la fora do Estado judaico.

  1. Antônio César Domingues Hedo 12/02/2012 at 07:31 #

    O “direito histórico” dos judeus pela efetivação de seu país é inquestionável porém esse Estado tem de ser laico e inserir todas suas minorias, prioritariamente os palestinos, com plena cidadania!
    A divisão de Israel seria um descabido equívoco que isolaria ainda mais os palestinos que assim se aferrariam em “suas ilusões”!

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