Surgimento e formação do sionismo (1ª parte):

Sionismo: Cultura e Política.

Semanticamente, sionismo refere-se a dois aspectos: o político e o cultural. A cultura sionista surgiu antes da invasão israelense da Palestina. Este tipo de sionismo contradiz a imigração judaica para Palestina, bem como a fundação de Israel.

O sionismo, como movimento político, surgiu e desenvolveu-se após a Segunda Guerra Mundial. A atividade dos dirigentes deste movimento intensificou-se na última década del siglo XIX. No início da Primeira Guerra Mundial e depois da redação da “Declaração Balfour”, em novembro de 1917, o Reino Unido estabeleceu uma pátria para os sionistas.

As reivindicações judaicas de formar um estado judaico na Palestina baseiam-se  numa promessa divina de retorno à Terra Prometida. Herzl, fundador do sionismo político, considera tal promessa como um esforço para alcançar os objetivos do sionismo e uma vocação profética. Em 1897, no Congresso Sionista em Suíça, os estados ocidentais enfatizaram o direito histórico dos judeus colonizarem a terra prometida, para que a promessa divina se cumpra.

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O primeiro documento escrito relacionado com o tema foi o “Manifesto Bilu”, publicado em 1882 por um grupo de sionistas membros dum movimento homônimo na Rússia. O manifesto serviu para incitar os judeus de todo mundo a se unirem para realizar a divina promessa de regressar à terra prometida e fundar uma pátria judaica em Jerusalém.

Na realidade, o movimento não era independente e formou-se paralelamente ao desenvolvimento de rivalidades coloniais e imperialistas da Europa, pelo que, nos anos anteriores a 1948, a sua existência dependia das potências europeias e americanas.

Este movimento é consequência do crescimento da burguesia na Europa e América durante o século XIX. O apoio da burguesia levou ao desenvolvimento deste fluxo, apesar de muitos judeus se oporem a esta corrente.

Herzl, pai do sionismo, publicou um livro intitulado “Estado judaico” emitindo o manifesto de Basileia em 1897, ao mesmo tempo que fazia esforços generalizados para conseguir apoios das potências coloniais e dos círculos capitalistas europeus, bem como convencer o Sultão Abdulhamid, califa dos otomanos, para el estabelecimento de um estado judaico. Ele formalizou a fundação desse estado depois da Primeira Guerra Mundial e da Declaração Balfour.

Manifesto de Basileia, origem dum Estado Judaico.

O Manifesto de Basileia e o movimento dos “Amantes de Sião” foram o prelúdio da formação de Israel e do desenvolvimento sionista no Médio Oriente.

declaração de Balfour

Apesar dos elementos e correntes mencionados no artigo anterior terem conduzido à criação do sionismo político, Theodor Hertzl, é conhecido como o principal fundador do sionismo, que o formaliza com a publicação do livro “Estado Judaico”, recorrendo ao imperialismo ocidental e à ideia do anti-semitismo, assunto que se complicou com o assassinato de um tenente judeu em França.

O caso Dreyfus serviu como desculpa para os sionistas ganharem posição e garantirem o estabelecimento de um país independente. A diplomacia de Herzl baseava-se em três elementos fundamentais: Em primeiro lugar, fundar uma organização sionista, cujas bases assentariam no movimento dos “Amantes de Sião” e na Declaração de Balfour.

O segundo fator centrou-se em idealizar um plano de colonização, o cual aceite por Rothschild, que se dedicou a adquirir terras palestinas e constituir grandes colônias judaicas nesse território, facto que contribuiu para a ocupação paulatina da Palestina.

Em terceiro lugar refere-se às ofertas de Herzl ao califa otomano Abdul Hamid, em 1897, para pagar uma parte substancial da dívida otomana em troca de uma autorização que permitisse os sionistas instalar colônias na Palestina; una conspiração que fracassou.

Por conseguente, projetaram a ideia de “Sionismo sem Sião”, quer dizer, a criação dum estado judaico, mas não em Israel.

Em 1895, tentaram colonizar o território argentino; após o que se contemplaram outros assentamentos possíveis em Argentina, Uganda, Congo, Chipre e Moçambique, entre 1903 e 1908.

Não obstante, nenhum desses projetos teve resultado. Finalmente, as derrotas consecutivas levaram os sionistas a implicar o Reino Unido, cuja consequência foi a declaração de Balfour em 1917.

Movimentos que influenciaram a formação do sionismo e de Israel.

O status quo do século XIX, bem como o apoio do bloco colonialista, ajudaram a eclosão e atividade de protagonistas do sionismo político.

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O século XIX caracterizou-se por rivalidades entre potências coloniais, tais como Estados Unidos, Reino Unido, França, etc. A Terra de Palestina, sendo um objetivo comum. de acordo com determinada ideia proposta pelo Reino Unido, considerou-se como o local onde estabelecer um país, uma base de poder chamado ” Israel ” mediante o qual poderiam alcançar os seus interesses.

Vários movimentos foram criados, incluindo os “Amantes de Sião” (1880) e o Movimento Bilu. Depois Theodor Herzl, procurou plasmar essa ideia no seu livro (O Estado Judaico). Finalmente, após uma série de negociações e de esforços diplomáticos, foi criado o Congresso de Basileia, graças à ajuda das potências europeias e coloniais, bem como os esforços do governo otomano.

Chaim Weizmann apresentou-se como o líder do sionismo depois de Herzl. O século XX começou com um dramático incremento nas tentativas dos governos coloniais de fundar Israel. Na década de 1900 , o imperialismo britânico elaborou planos contra a crescente influência de seus rivais coloniais e o domínio que exerciam sobre o Canal do Suez e na Índia. A Primeira Guerra Mundial fortaleceu os laços entre Inglaterra e o sionismo; foi então que se emitiu a Declaração Balfour, em 1917.

Os sionistas da altura, minoritários entre os judeus, dividiam-se em dois grandes grupos: os “Amantes de Sião” e “Bilu”.

A rivalidade colonial na Europa conduziu ao estabelecimento da Organização Sionista Mundial, também chamada de “Amantes de Sião”, cujo objetivo fundamental era promover o progresso e desenvolvimento judaico. Um dos principais fundadores desse movimento foi Moses Hess.

O segundo grupo originou-se em os “Amantes de Sião”, e vigorou após a redação do “Manifesto Bilu” e defendeu a ocupação da Palestina, sob o lema de regressar à terra dos antepassados. Suas ideias políticas fora expostas num manifesto conhecido como “Bilu” .

O conteúdo principal desse manifesto consistia em instaurar um estado judaico em Jerusalém. 

A Declaração Balfour realiza os interesses imperialistas de Inglaterra.

A Declaração de Balfour foi um importante passo de Inglaterra com o objetivo de satisfazer os seus interesses e dos sionistas no Médio Oriente, depois de Londres ratificar a sua colaboração com Herzl para estabelecer um estado judaico.
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Inglaterra e a formação do sionismo.

A Declaração Balfour foi um empenho conjunto do imperialismo ocidental e do sionismo. O movimento sionista não obteve apoio por parte dos estados árabes durante a Primeira Guerra Mundial, pelo que considerou a Inglaterra como um bom aliado para colonizar Palestina.

Durante a Primeira Guerra Mundial o movimento sionista começou a amparar Londres, membro dos Aliados, com o objetivo de obter uma posição firme no Médio Oriente no caso de colapso do governo otomano e de derrota da parte dianteira do Eixo.

Em 1914, Nahum Sokolow, destacado líder sionista, declarou que os árabes devem reconhecer aos hebreus como seus irmãos e autorizar a imigração.

A Inglaterra, que tinha como objetivo promover a influência no Canal do Suez, apoia as políticas do movimento sionista, deixando de lado a política de integridade territorial otomana. Em contrapartida, os judeus apoiaram totalmente as metas belicistas do Reino Unido.

Durante a 1ª Guerra Mundial os hebreus prestaram valiosos serviços aos estados ocidentais, como por exemplo a invenção da acetona por Weizmann, líder do movimento sionista, a qual facilitou muitíssimo o logro militar dos aliados.

A cooperação de Weizmann e Balfour aplanou o caminho para a ocupação da Palestina. Essa colaboração contribuiu para a Declaração Balfour, contudo, distintos investigadores suspeitam sobre a veracidade dessa proclamação.

Os críticos reclamam que a formação de Israel foi uma violação dos direitos palestinos. Acreditam que a Declaração Balfour é uma carta escrita por uma pessoa e que o governo britânico não está autorizado a conceder uma terra sem direito de propriedade.

Em 1918 o Conselho Supremo da Conferência de Paz de São Remo atribui a Inglaterra o mandato sobre Palestina, sem o consentimento dos palestinos.

Conferência de Paz de Paris: um passo para o estabelecimiento de Israel.

A Conferência de Paz de Paris serviu para as potências colonizadores e sionistas apresentarem as suas ideias quanto ao futuro dos territórios ocupados.
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Reino Unido e o sionismo.

A Organização Sionista Mundial que representava os sionistas durante a Primeira Guerra Mundial, mas sem representação perante a maioria dos judeus espalhados pelo mundo, propôs em 27 de fevereiro de 1919, um plano inspirado nas opiniões sionistas sobre Palestina, o qual foi ratificado pela Sociedade das Nações, posteriormente substituída pela ONU.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Palestina permaneceria sob tutela de Inglaterra, pelo que a aprovação de semelhante projeto colocava em evidência os acordos entre sionistas e britânicos. De facto, a colonização britânica serviu para afincar os sionistas nesse território.

O sistema de tutelas foi anulado através de diferentes conferências e a excepção foi o caso da Palestina,  dividida entre judeus (Is­rael) e palestinos, o que desvelou esforços de Inglaterra e da sociedade sionista para conquistar o país. Segundo a história, um dos objetivos principais desse sistema consistia em preparar o terreno para pôr em prática a Declaração de Balfour, convertendo essa terra na pátria dos hebreus.

Em 1920, o campo foi preparado para a colonização judaica. As preocupações sobre o domínio do sionismo fortaleceram a unidade dos muçulmanos e cristãos, cujo resultado foi a fundação da Associação Muçulmana-Cristã contra a colonização israelense na Palestina.

Em pleno conflito, os colonizadores sionistas construíam cada vez mais vivendas para a sua futura colônia na zona.

Existem três etapas do movimento de resistência palestina: a resistência pacífica, o radicalismo e o levantamento. O povo árabe adotou a estratégia de resistir perante a colonização sionista desde o começo do domínio britânico até 1928. Durante este período enviaram delegações a Londres, tentando impedir o processo de povoamento.

Após a ineficácia dessa fase de resistência pacífica, numa segunda etapa, o movimento fez uso do radicalismo, de modo que rapidamente rebentaram enfrentamentos violentos em algumas partes da Cisjordânia (1929).

A fase final iniciou-se com uma série de levantamentos por parte do povo muçulmano, os quais originaram reações bélicas de Telavive, e o movimento encaminhou-se para uma resposta armada. A partir de então, organizou-se várias greves gerais expressando desta forma sua ira, o seja, o repúdio pela crescente onda de imigração judaica, bem como pelo apoio prestado pelo governo britânico.

Palestina, sob mandato britânico.

A tutela do Reino Unido sobre Palestina, juntamente com a aliança entre Telavive e Londres, conduziram ao estabelecimento do regime israelense.

Jerusalém

Inglaterra conseguiu dominar o país e controlar a situação da Palestina tomando-a sob tutela por um período de 30 anos. Essa época divide-se em três décadas:

De 1918 a 1928: O Reino Unido incentivou os judeus a imigrar para Palestina numa tentativa de aplicar o conteúdo da Declaração Balfour. Por este motivo adoptou medidas destinadas a facilitar a venda de terras a Judeus. Inglaterra também incentivou Westerns a realizar inversões Palestina.

Entretanto, o exército israelense começou a armar e a preparar militarmente os judeus na Palestina. O mandato britânico sobre o país árabe debilitava o poder econômico e político dos muçulmanos, subministrando aos sionistas grandes somas de dinheiro.

De 1929 a 1939: Durante esta época, os palestinos enfrentaram-se à inversão sionista na sua pátria pelo que realizaram vários levantamentos. Em 1929, os sionistas tetaram ocupar um lugar conhecido como o sítio da ascensão do Profeta Muhammad (saws), com o fim de impedir a realização de atos de culto por parte do povo muçulmano. A controvérsia desatou a ira e deu lugar a enormes conflitos na zona conhecida como “Muro das Lamentações”, os quais provocaram a morte de um israelita.

Apesar de tudo, a onda de imigração judaica continuou enquanto as autoridades inglesas incitavam os judeus europeus a emigrar para a região, assim que o movimento nazi surgiu na Alemanha.

De 1939 a 1948: Este período, chamado “o período de transição”, coincidiu com a Segunda Guerra Mundial, durante o qual Inglaterra deixou de prestar apoio aos sionistas, com o objetivo de apoiar os árabes. Em 1939, Londres fez uma declaração conhecida como o “Livro Branco”, que respeita os direitos dos árabes e dos líderes palestinos e também estabelece restrições à imigração sionista.

O assunto provocou indignação entre os sionistas, que buscaram o apoio dos EUA. Bombardearam as oficinas britânicas em Beit-ul-Moqaddas, pedindo a retirada de Inglaterra da Palestina. 

O ponto culminante da crise teve lugar em 1947 e 1948, quando o Reino Unido refere a questão palestina na ONU e estabeleceu uma nova era na história da Palestina e do sionismo.

(Continua…)

Autor: Ahmad Vakhshiteh, M.Sc. em teoria política.

Fonteshttp://lhvnews.com/en/news/972/cultural-and-political-zionism

http://lhvnews.com/en/

http://lhvnews.com/en/news/993/the-connection-of-europe%E2%80%99s-imperialism-and-the-jewish

http://lhvnews.com/en/news/1014/balfour-declaration-fulfillment-of-britain%E2%80%99s-imperialistic-interests

Tradução: Sionismo.net

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