Conclusões do Sínodo dos Bispos para o Médio-Oriente

sinodo bispos 2010Fonte:sionismo.net

Mais de cento e oitenta prelados e membros de outras religiões participaram na Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos para o Médio-Oriente, presidida pelo Papa Bento XVI, realizado no Vaticano, entre 10 e 24 de Outubro passado.

Na mensagem final do Sínodo, os Bispos pediram que a ONU promova as medidas necessárias para pôr termo à ocupação dos diferentes territórios árabes segundo o mandato das resoluções do Conselho de Segurança”.

“O povo palestiniano poderá assim ter uma pátria independente e soberana e viver ali em dignidade e estabilidade, enquanto que o estado de Israel poderá gozar a paz e a segurança dentro das fronteiras reconhecidas internacionalmente” – realça a mensagem final do Sínodo para o Médio Oriente.

A mensagem final constata “o impacto do conflito palestino-israelense sobre toda a região, especialmente sobre o povo palestino, que sofre as consequências da ocupação israelita: a falta de liberdade de movimento, o muro de separação e as barreiras militares, os prisioneiros políticos, a demolição das casas, a perturbação da vida económica e social e os milhares de refugiados”.

Os padres sinodais “interpelam a comunidade internacional, em particular a ONU, para que trabalhem, sinceramente, numa solução que traga a paz justa e definitiva à região, mediante a aplicação das resoluções do Conselho de Segurança e tomando medidas jurídicas necessárias para acabar com a ocupação dos diferentes territórios árabes”.

A Cidade Santa de Jerusalém” – acrescentam depois – “poderá encontrar o estatuto justo que respeitará o seu carácter particular, a sua santidade, o seu património religioso para cada uma das três religiões, judaica, cristã e muçulmana“.

Acerca do aspecto político, o Sínodo chama a atenção aos governos locais e à comunidade internacional, para que “tutelem o direito de cidadania, a liberdade de consciência e de culto”.

No final da mensagem, os padres sinodais condenam a violência, o terrorismo e todas as formas de racismo, antissemitismo, anticristianismo e islamofobia e pedem às religiões que assumam as suas responsabilidades na promoção do diálogo das culturas e das civilizações na região do Médio Oriente e no mundo inteiro.

Segundo os padres sinodais é tempo de “nos empenharmos juntamente por uma paz sincera, justa e definitiva. Nós todos somos interpelados pela Palavra de Deus que fala de paz”.

“Não é permitido – recorda a mensagem final do Sínodo para o Médio Oriente – fazer recurso a posições teológicas bíblicas para fazer delas um instrumento que justifica as injustiças”.

Esta mensagem não agradou a Israel. A resposta sionista não tardou; o vice-ministro do Exterior israelita respondeu com a rudeza habitual: “Pedimos que o Vaticano se distancie de comentários que difamam os judeus e o Estado de Israel”. Em não fazendo isso, se jogaria “uma sombra sobre as importantes relações entre a Santa Sé, Israel e os judeus”. Danny Ayalon, vice-chanceler israelita reclamou que o encontro havia se transformado em “um fórum para ataques políticos contra Israel, no melhor estilo da propaganda árabe”.

Ayalon objetou especificamente um comentário feito na coletiva de imprensa de encerramento do Sínodo no sábado pelo arcebispo greco-melquita Cyrille Salim Bustros.

O Arcebispo Bustros comentou uma frase da mensagem final do Sínodo, que rejeitava o uso da Bíblia para justificar a injustiça.

“Nós, cristãos, não podemos falar da ‘terra prometida’ como um direito exclusivo para um povo judeu privilegiado”, afirmou D. Bustros. “Essa promessa foi anulada por Cristo. Já não existe um povo escolhido – todos os homens e mulheres de todos os países tornaram-se o povo escolhido”.

Também o rabino David Rosen, veterano de longa data no diálogo católico-judaico, que tinha sido convidado para discursar no Sínodo, referiu que as palavras do Arcebispo Bustros “refletem tanto a ignorância chocante quanto a insubordinação em relação ao ensino da Igreja Católica sobre judeus e o judaísmo que fluem da declaração ‘Nostra Aetate’ do Vaticano II”.

Alguns judeus assumiram essa frase como uma expressão de “supersessionismo” teológico, ou seja, que a vinda de Cristo “cancelou” a aliança de Deus com Israel – uma visão que o Concílio Vaticano II e o magistério papal subsequente rejeitaram. Alguns israelitas igualmente viram isso como uma rejeição de Israel como “Estado judeu”.

Em resposta às críticas de Israel, o Vaticano reafirmou no passado dia 25 de Outubro a avaliação “grandemente positiva” dos trabalhos da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos.

De acordo com o porta-voz Federico Lombardi, a voz coletiva das discussões realizadas no Vaticano nas últimas duas semanas foi sintetizada na “mensagem” final e nas diversas intervenções dos mais de 170 prelados que estiveram presentes.

 

“Houve uma enorme riqueza e variedade de contribuições dadas pelos padres que, porém, como tais, não são considerados cada um como a voz do Sínodo em seu conjunto”, explicou o religioso.

“A avaliação total do Sínodo e de seus trabalhos nas palavras do Santo Padre e na opinião comum dos participantes e dos observadores parece grandemente positiva”, completou ele.

Curiosamente, em Portugal estas notícias passaram despercebidas, apenas existindo umas tímidas e tendenciosas  referencias a este tema, o que seria de estranhar num país católico como o nosso, não fosse o facto dos mídia deste país estarem inteiramente subordinados ao poder e controle sionista. (veja-se, por exemplo a notícia difundida pelo portal do diário “O Público“).

Homilia proferida pelo Papa Bento XVI na abertura do Consílio, Basílica Vaticana , Domingo, 10 de Outubro de 2010: LER




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