Turquia e Israel: Erdogan e o estado sionista.

[…] Quando em 2009 Erdogan abandonou encolerizado um debate público com o presidente israelita (br. israelense) em Davos, converteu-se instantaneamente no herói de árabes e muçulmanos. Eu próprio lhe dediquei um artigo elogiando a sua coragem e valentia em favor do povo palestiniano (br. palestino) que acabava de viver o massacre de Gaza pelo exército israelita (br. israelense) [1]. Posteriormente, o episódio da Flotilha da Liberdade que custou a vida a nove cidadãos turcos em maio de 2010 amargurou as relações entre os dois países e a situação chegou a quase ruptura de relações. Mas, que se passa realmente com as relações entre Turquia e Israel? De facto, a posição de Erdogan relativamente a Israel estava clara desde a sua chegada ao poder. Contrariamente ao seu predecessor islamista Erbakan, não discutia a aliança de Turquia e Israel [2]. Recordemos que em 1996 Erbakan negou-se a ratificar um acordo de cooperação com o governo sionista e decidiu suspender umas manobras navais turco-israelitas contrariamente à opinião dos seus militares.

Turquia e Israel partilham muitos interesses comuns.

Erdogan

O reconhecimento de Israel por parte da Turquia não é recente. Turquia foi o primeiro país muçulmano a reconhecer o estado sionista, em 1949, o que levou Noémie Grynberg a afirmar: “ …desde faz quase 60 anos, ambos países mantêm relações diplomáticas e cooperam em muitos domínios. Turquia e Israel partilham muitos interesses comuns: económicos, energéticos, estratégicos, militares, políticos” [3]. Erdogan favoreceu e dinamizou muito as relações entre ambos países. Entre 2002 e 2009 a maioria dos grupos israelitas (br. israelenses) reforçaram a sua presença em Turquia e os contratos bilaterais chegaram aos 2.500 milhões de dólares. Paralelamente, o exército israelita (br. israelense) contribuiu ativamente para a modernização das forças armadas turcas, em particular a aviação [4].

Turquia e Israel - Erdogan sionista

Existem outras “ inconveniências” na política turca em relação a Israel. A primeira, divulgada nos meios de comunicação, diz respeito à aceitação em outubro de 2011 da ajuda israelita durante o sismo que afectou a região turca de Van. A segunda, que passou despercebida, tem relação com o incêndio do monte Carmelo em Israel. Turquia enviou dois aviões para lutar contra o incêndio em dezembro de 2010 quando as relações estavam no seu ponto mais baixo [5].

Mas o gesto que provavelmente mais agradou a Israel foi o facto da Turquia aceitar a instalação, por parte da OTAN, de um escudo anti-misseis dos EUA, em território turco para contrariar qualquer ataque iraniano [6]. Além disso, segundo o diário turco Hurriyet, os dados recolhidos pelos radares serão retransmitidos directamente a Israel, decisão que muito agradou a Ehoud Barak, ministro de Defensa israelita: “Turquia não se está convertendo num inimigo de Israel”, declarou. Sobre este mesmo tema, um alto responsável dos EUA reconheceu que “a instalação do escudo anti-misseis é a maior cooperação entre Turquia e Estados Unidos nos últimos vinte anos” [7]. A recente instalação de aviões norte-americanos não tripulados Predator em Turquia e a venda iminente de helicópteros de ataque para lutar contra os separatistas kurdos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Kurdistão) [8] é, sem dúvida, uma forma de agradecimento pela colaboração turca na questão do escudo anti-misseis.

Obama e Erdogan

Esta decisão sobressaltou o Irão (br. Irã) e a Rússia. O primeiro advertiu que atacaria as instalações turcas em caso de ameaça [8]. O segundo declarou que planeava instalar mísseis para se defender do sistema anti-mísseis turco [9]. A política turca de “zero problemas com os nossos vizinhos” acaba de receber um bom golpe. E não é o único. […]

Autor: Ahmed Bensaada

Tradução: sionismo.net

Fonte: http://www.ahmedbensaada.com/index.php?option=com_content&view=article&id=144:le-double-jeu-de-recep-tayyip-erdogan&catid=37:societe&Itemid=75

1. Ahmed Bensaada, « La valse à quatre temps de Amr Moussa ou l’évanescence de l’arabité politique », Le Quotidien d’Oran, 12 février 2009, http://www.ahmedbensaada.com/index….

2. L’Express.fr, «L’étrange M. Erdogan », 7 novembre 2002,http://www.lexpress.fr/actualite/mo…

3. Noémie Grynberg, «Tayyip Erdogan : la Turquie laïque deviendrait-elle islamiste?», Noémie Grynberg.com, http://www.noemiegrynberg.com/pages…

4. Michel Gurfinkiel, « Turquie-Israël/ De l’alliance à la confrontation », Michel Gurfinkiel.com, 6 juin 2010, http://michelgurfinkiel.com/article…

5. Gérard Fredj, «Turquie – Israël : l’aide humanitaire aux cotés de ses ennemis », Israël Infos, 27 octobre 2011, http://www.israel-infos.net/Turquie…

6. Infos d’Almanar, «Presse turque : la data du bouclier anti-missile sera transmise à…Israël », 8 octobre 2011, http://www.almanar.com.lb/french/ad…

7. Institut Kurde de Paris, « Des drones américains basés en Irak repositionnés en Turquie », 14 novembre 2011, http://www.institutkurde.org/info/d… 3475.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

8. AFP, «L’Iran, si menacé, prendra pour cible la Turquie », Lalibre.be, 26 novembre 2011,http://www.lalibre.be/actu/internat…

9. Le Nouvel Observateur, «Medvedev: la Russie pourrait déployer ses missiles en réaction à la stratégie américaine en Europe », 23 novembre 2011, http://tempsreel.nouvelobs.com/mond…

 Autor: Ahmed Bensaada
Tradução: sionismo.net

, , , ,

No comments yet.

Deixe uma resposta