Política belicista israelense. Soam confusos tambores de guerra.

Autor: José Carlos García Fajardo

Sempre a mesma história, o uso incorreto das palavras: judeu, hebreu e israelita apresentados como sinónimos. Israelitas são os cidadãos do Estado de Israel. No Estado de Israel –que alguns se empenham em denominar “judeu”- vivem israelitas: uns são judeus e outros não. Os israelítas judeus, uns são de extrema-direita, ortodoxos cheios de privilégios (não pagam impostos, os que estudam em escolas rabínicas não cumprem o serviço militar obrigatório, e dedicam-se a impor as suas tradições) e outros são israelitas judeus progressistas, de esquerda, liberais e cosmopolitas. Outros são judeus israelitas agnósticos ou ateus e israelitas árabes, muçulmanos, cristãos ou drusos.

O partido que governa é o Likud, presidido por Netanyahu, que é aliado das facções ultra-direitistas do Parlamento: Shas (judeus ortodoxos) e Yisrael Beytenu, “Israel é a nossan casa”. Aqueles que se consideram orto-doxos excluem os outros como hetero-doxos; esquecendo que hetero não é sinónimo de hereje, mas que significa outra opinião, atitude ou conduta. O Rabino Jesus de Nazaré foi um judeu heterodoxo. Não cabe falar de antissemitismo, mas apenas “reconhecer o direito dos palestinos (pt, palestinianos) viverem livres de ameaças dentro de fronteiras seguras e reconhecidas”(Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, 1967).

O governo de Israel qualifica de “antissemita” qualquer gentil que discorde da sua política belicista. Se o que opina é judeu, então este “odeia-se a si mesmo”. Raciocínio tão falso como a pretendida superioridade da raça ária.

Política belicista israelense.

Política belicista israelense. Críticas ao sistema não são permitidas.

Existem famosos escritores, poetas, artistas, periodistas judeus e israelitas que não partilham as ideias nem os actos exclusivistas e da política belicista do Likud e que se opõem a esse muro vergonhoso que discrimina palestinos (pt, palestinianos) nas suas próprias terras, como que prisioneiros em “guetos palestinos”. Não é sarcástico? Judeus israelenses que denunciam a ocupação de terras dos palestinos (pt, palestinianos), nas quais se assentam colonos integristas e exclusivistas. Não é algo parecido ao que fizeram os nazis encerrando em guetos judeus polacos, alemães, austríacos, checos e ucranianos? Não foram enviados para o exílio milhões de palestinos (pt, palestinianos) cujas casas, terras e meios de vida tornaram-se impossíveis devido à intolerância das milícias que formaram a Haganah, braço armado da Agência judaica responsável de atrair judeus a Israel? Recordemos a atividade terrorista do Irgun e de Stern Gang, de cujas filas surgiriam Yigal Alon, Moshe Dayan, Isaac Rabin e Menahen Begin. Quando preguntaram a Golda Meier pelos direitos do povo palestino (pt, palestiniano) respondeu: “Que povo? Não existe mais povo que o judeu”.

Existe um lobby judaico que atua em muitos países e governos. Nada que objetar enquanto respeitem as regras da democracia. Mas não está de acordo com o Direito a prepotência e política belicista israelense (pt, israelita), bem como matanças como a realizada em Deir Yassin, onde o Irgun assassinou todos os habitantes (1948). Muitos judeus padeceram nos campos de concentração nazistas (pt, nazis), mas também ciganos, comunistas, homossexuais, socialistas e descapacitados. Ninguém pode ignorar o Holocausto, mas não podemos permitir o extermínio do povo palestino (pt, palestiniano) 

É inadmissível que possuam ogivas nucleares sem controle das instituições internacionais (AIEA). Atuam como os paquistaneses ou os coreanos do norte com as suas bombas nucleares. Com que autoridade ameaçam atacar o povo iraniano porque seus dirigentes desenvolvem a energia nuclear para fins industriais quando os israelenses a utilizaram para produzir bombas nucleares?

A política belicista israelense é inadmissível e contrária aos mais elementares princípios do Direito.

Escrevo como indivíduo que admira a história do povo de Israel sem ignorar as suas páginas negras, como as têm os outros povos, culturas e civilizações. Consideram-se “o povo eleito”? Que fiquem com as suas histórias, mas não podemos tolerar que excluam os outros como goyim. Entre diversas outras razões para os respeitar, admiro-os porque no meio deles viveu o rabino Jesus de Nazaré. Nesse sentido também sou judeu (até poderia ter sangue judeu, mas não aceito servidões de raça, género, língua ou cor). Também reconheço-me pertencente ao povo cristão e à sua cultura mas não aceito esse enclave ideológico com “sede” no Vaticano. E também sei que sou grego, romano, árabe e muçulmano. Como se não pudesse ter escrito estas linhas e expressar meu pensamento! Jamais poderei ser “antissemita” porque isso é uma barbaridade sem sentido. Mas posso discrepar de formas de sionismo exclusivista e prepotente porque me sinto cidadão do mundo e sou contra o racismo e apartheid. Se considero curta a minha nacionalidade espanhola e esta pobre caricatura “europeia”, como não vou reconhecer a dignidade de todo ser humano num planeta que estamos destruindo devido à nossa insensatez suicida? Vivam em paz, como fruto da justiça, como cidadãos do mundo e acabemos com esta exploração de uns por outros, com a fome, com as guerras, com a explosão demográfica e construamos todos juntos  um outro mundo mais justo e solidário.

Autor: José Carlos García Fajardo Professor Emérito da Universidade Complutense de Madrid (UCM). Diretor do CCS

Fonte: Comunidade de El País

Tradução: Sionismo.net

Centro de Colaborações Solidárias (CCS), Espanha. ccs@solidarios.org.es Twitter: @CCS_Solidarios

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