Apartheid: leis racistas e discriminatórias do estado sionista de Israel afetam a um número cada vez maior de famílias palestinas.

Mesmo que por um momento nos esquecesse-mos da ocupação do território da Palestina por parte de Israel, teríamos razões de sobra para acusar esse país de instaurar um regime de apartheid dentro das suas próprias ‘fronteiras’ (entendendo por estas a Linha Verde do Armistício de 1949, com toda a controvérsia que desperta, mas que é o consenso alcançado até agora pela comunidade internacional sobre um país criado faz 64 anos que continua recusando definir suas fronteiras definitivas, porque pretende apropriar-se da totalidade da Palestina histórica).

Por mais esforços e iniciativas empreendidos, resulta sempre insuficiente dar conta de tudo o que implica quando um Estado define oficialmente seu carácter ou natureza em função dum critério étnico-religioso exclusivo.

É isso o Estado de Israel: um Estado baseado sobre a premissa da superioridade judaica sobre todos os outros grupos étnicos, religiosos ou nacionais existentes no mundo.Tribunal Russell sobre a Palestina, na sua última sessão na África do Sul (novembro de 2011), demonstrou claramente que o Estado sionista de Israel aplica um regime de apartheid para com a população não judaica; não apenas nos territórios palestinos que ocupa, mas também dentro do seu próprio território. Ver aqui o resumo das Conclusões do Tribunal onde se enumeram as políticas e leis racistas discriminatórias vigentes ou projetadas em Israel.

Num ambiente de escalada de políticas e leis racistas, o Supremo Tribunal israelense (pt, israelita) recentemente ratificou (por um voto) a “constitucionalidade” (num país que não tem uma Constituição) da Lei de Cidadania de 2003, que aponta, como tantas outras nesse país, a forçar uma maioria demográfica para justificar o carácter judaico do Estado.

Entre outras coisas, a lei nega à população árabe com cidadania israelense (pt. israelita) (que representa 20% do país) o direito de viver dentro do território israelense (pt, israelita) com conjugues provenientes dos territórios ocupados ou de “países inimigos” (definidos pela lei como “Síria, Líbano, Iraque e Irã).

Milhares de casais e famílias palestinas encontram-se ameaçadas em virtude do incremento do número de leis racistas.

Milhares de casais e famílias palestinas encontram-se ameaçadas pela iminente “deportação” de um dos seus integrantes para o seu lugar de origem, nos territórios ocupados; a alternativa que é viverem separados ou abandonarem Israel.

leis racistas: Lana y Taiseer Khatib (foto de familia publicada por NBC News)

Esta é a carta aberta escrita por Taiseer Khatib, um palestino (pt, palestiniano) da cidade de Akka (Acre para os israelitas, no norte do que é atualmente Israel). Taiseer, a sua esposa Lana, a sua filha Yusra (3) e o seu filho Adnan (4), são uma das milhares de famílias que se verão obrigadas a viver separadas, como consequência da aprovação de leis racistas, como a lei racista da Cidadania, segundo a qual esta família enfrenta a ameaça real e “legal” de que Lana seja deportada a Jenín, sua terra natal no norte da Cisjordânia.:

Querid@s amig@s:

Para os que estão perto e para os que se encontram repartidos pelo mundo, para os que estão em instituições académicas, partidos políticos, teatros, organizações de direitos humanos, estudantes, trabalhadores, etc.; tod@s, por favor, considerem esta mensagem como dirigida pessoalmente a cada um/a de vocês.

Pode ser que alguns de vocês conheçam a recente resolução racista do Suprema Tribunal de Israel que ameaça separar dezenas de milhares de famílias palestinianas. Esta resolução, que se soma a outras 25 leis e projetos de lei, segrega e discrimina a la minoria palestina (pt, palestiniana) dentro de Israel. Estas leis racistas têm um objetivo: lograr que o Estado de Israel seja unicamente para uma raça pura: a raça judaica! A deportação atualmente só afeta as pessoas oriundas da Cisjordânia e Faixa de Gaza que estejam casadas com palestin@s cidadãos/ãs de Israel, mas num futuro afetará a grande maioria da população árabe-palestina dentro de Israel -ou mesmo a todos!

Sim, sou muito pessimista. Sinto que a deportação da minha esposa e a sua separação de mim e d@s noss@s filh@s é algo real! É um dia escuro na minha vida e na vida de dezenas de milhares de pessoas que se encontram em idêntica situação. A deportação não só se converteu em algo real, está legalizada!

Escrevo-lhes para pedir-lhes que atuem em nome da humanidade e dos direitos humanos, porque o Supremo Tribunal de Israel legalizou uma guerra contra eles; e ao declarar guerra contra nós, os outros, deu luz verde a todos os serviços de segurança para atuar em nome da LEI! O Suprem Tribunal era o último refúgio para defender os direitos humanos em Israel, e agora fechou a porta aos Direitos e deixou os Humanos (Palestinos) fora e sem nenhuma proteção.

No final desta carta aberta encontrarão alguns artigos que explicam esta lei racista, bem como alguns artigos e entrevistas comigo e com a minha família. Também uma entrevista na TV (em hebreu). Por favor, peço-lhes que ajudem a combater o racismo de Israel fazendo circular informação e tudo o que lhes pareça útil relativamente a esta lei entre TODOS os vossos contactos de correio, redes sociais, Facebook, Twitter e outros, de modo a despertar consciência -sobretudo na Europa e nos EUA- sobre o que se está passando dentro do Estado “democrático” de Israel. Por favor, não se detenham e continuem a elevar bem forte as vossas vozes contra as políticas racistas e discriminatórias de Israel!

A todos aqueles que me enviaram cartas, me telefonaram e expressaram a sua solidariedade com o nosso caso, lhes agradeço (especialmente aos meus amigos israelenses (pt, israelitas) que denunciaram a lei e me disseram que essa resolução não fala em seu nome e que se sentem envergonhados por ela) por expressarem solidariedade, em primeiro lugar com vocês mesmos e em segundo lugar comigo e com a minha família. O racismo para com os palestinos (pt. palestinianos) dentro de Israel não vai parar, se não que vai continuar, como está ficando claro últimamente.

Vou terminar esta mensagem citando o grande intelectual Edward Said: “Recordem a solidariedade com Palestina aqui e em toda a parte… e recordem também que esta é uma causa com a qual muitas pessoas se têm comprometido, apesar das dificuldades e terríveis obstáculos que enfrentam. Porquê? Porque é uma causa justa, um ideal nobre, uma luta pela igualdade e pelos direitos humanos.”

Espero que esta causa justa chegue à maior quantidade possível de pessoas, pois que é uma forma de lutar contra decisões fascistas e de levantar a voz contra o Apartheid!

Sinceramente,

Taiseer

 

Fontes de informação adicional:
 
http://www.mako.co.il/news-channel2/Channel-2-Newscast/Article-71da7677c33d431017.htm
http://www.adalah.org/eng/
http://www.maannews.net/arb/ViewDetails.aspx?ID=451877
http://worldnews.msnbc.msn.com/_news/2012/01/12/10142284-israeli-high-court-keeps-israeli-palestinian-spouses-apart
http://www.haaretz.com/print-edition/opinion/supreme-court-thrusts-israel-down-the-slope-of-apartheid-1.407056
http://www.aljazeera.net/NR/exeres/DBCE686F-A556-42C4-9E2C-3696981F07AA.htm?GoogleStatID=21
http://www.haaretz.co.il/news/law/1.1615220
http://www.mideastyouth.com/2012/01/13/israeli-court-ruling-heightens-fears-for-palestinian-spouses-of-arab-citizens/
http://www.arabhra.org/hraadmin/ProjectSpecific/NewsletterEmailContent.aspx?articles=1065&SelectedLanguage=1
http://www.bbc.co.uk/arabic/middleeast/2012/01/120112_israel_palestine_citizenship.shtml
http://arabs48.com/?mod=articles&ID=88434
 
Fonte: Abir Kopty,Open Letter from Taiseer Khatib: Raise your voice against Apartheid)
Tradução: sionismo.net
 

Palestina en el corazón
Tradução: sionismo.net

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  1. Miguel Tavares - 06/04/2012

    […] SE alguém pretende entender o regime de Apartheid que existe nos Territórios Ocupados da Palestina, a realidade é a única evidência […]

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