Mentiras sionistas

Antes de mais é importante aclarar que sou filho de palestiniano,  portanto, meio-semita de segunda geração. De qualquer forma, mais semita que os filhos de polacos, argentinos, russos ou etíopes emigrados a Israel. Desta forma espero estar isento da omnipresente acusação de “antisemita” a todo aquele que ouse criticar aos israelitas ou sionistas judeus.

É verdadeiramente curioso como qualquer sionista de certa relevância (político ou não) baseia as suas opiniões e argumentos em mentiras e propaganda. Faz já um século… uma das grandes mentiras sionistas, que levou a muitos europeus de religião judaica a emigrar a Palestina, que dizia que Palestina era “uma terra sem povo para um povo sem terra”, ocultando que nessa região havia mais habitantes por quilómetro quadrado que em Argentina ou nos Estados Unidos naquela época.

Noa e as mentiras sionistas

Noa e as mentiras sionistas

Desde então e até aos nossos dias não abandonaram nem por um momento tal dialéctica tergiversa e propagandista. É importante contudo dividir dois tipos de propagandistas sionistas:

Estão os que dizem claramente o que pensam, sem rodeios, como o actual ministro de exterior israelita Avigdor Lieberman, do qual podemos enumerar as seguintes citações:

 

“Nossos soldados estão fazendo bem o trabalho em Gaza, mas a solução não é a invasão, a solução é como a que os Estados Unidos usaram com Japão, em Hiroshima e Nagasaki”.

“Se fosse por mim, chamaria a Autoridade Palestina para dizer-lhes que todos os seus centros de negócio em Ramala serão bombardeados amanhã às dez”.

“Quando existe contradição entre valores democráticos e valores judaicos, os valores judaicos e sionistas são mais importantes”.

“Pedir desculpas por o assalto à frota? Eles é que devem desculpar-se. Não haverá desculpas, pelo contrário, as estamos esperando de Ankara”.

 

Também propôs o bombardeio da represa egípcia de Asuán (em “resposta” ao apoio de Egipto a Arafat, ao qual propôs assassinar também); defendeu por afogar no mar Morto os presos palestinianos executar os deputados árabe-israelitas que se relacionem com Hamás, além disso quer negar a nacionalidade a quem não faça o serviço militar.

Mas este tipo de sionista não é o pior, pelo contrario, pois que as suas acções se podem ver de longe. Os piores são os lobos com pele de cordeiro. Um exemplo é o presidente de Israel Simón Peres. Por um lado aparenta uma imagem de moderado, democrata e homem de bem (até foi galardoado com o prémio Nobel da Paz). Nestes dias da sua visita a Espanha fez declarações como estas (referindo-se às revoltas do mundo árabe):

 

“Um Oriente Próximo democrático ajudaria à paz”
“Houve épocas em que os árabes estavam à frente do progresso, está em suas mãos”
“O Islão é compatível com a democracia”

 

Quem oiça tais declarações dirá: “Que grande homem”. “É um homem de paz, conciliador pelo menos”, mas se buscamos atrás umas poucas semanas, quando estava no auge a revolução egípcia, e os manifestantes eram massacrados, Simón Peres (tal como Blair e Berlusconi) não hesitou em apoiar explicitamente a Mubarak (enquanto o seu governo pedia a Estados Unidos e aos países europeus que também o apoiassem, e não se excederam com as críticas). Agora, uma vez destituído o ditador, junta-se à caravana falando de Islã e democracia… um bom exercício de oportunismo político.

Indo um pouco mais atrás no tempo, no final de 2009, agradeceu enormemente a Zapatero por o Governo espanhol ter limitado o princípio de jurisdição universal, salvando-se assim de serem julgados 7 militares israelitas que assassinarão 14 civis em 2002. Simón Peres disse: “os militares não fizeram mais que defender a vida do seu povo”. Boa forma de “defender”, assassinando a 14 palestinianos inocentes (suponho que esse argumento poderia ter qualquer terrorista).

Aproveita o seu papel de suposto “homem honrado” para verter propaganda, meter medo e envolver-nos a todos nas suas guerras e actos criminosos. Faz um par de dias declarou em Madrid, referindo-se a Mahmud Ahmadineyad (o novo bode expiatório/cortina de fumo de ocidente e Israel):

“Não haverá cidades a salvo dos terroristas que manejam essas bombas nucleares, não dormiremos tranquilos,”

“Por isso não somos os únicos que deveríamos estar preocupados”

“Não é só um perigo para Israel, mas para o mundo inteiro”

Vejamos outro exemplo de sionista com pele de cordeiro: Diego de Ojeda (Director Geral da Casa Sefarad-Israel). À simples vista, observando o seu CV, poderíamos supor que é um homem objectivo, honrado, que procura a paz acima de tudo. Porém, num artigo escrito por ele no jornal “El País“, no passado 22 de Fevereiro de 2011, no qual aparentemente continua apresentando-se como um homem de bem, se procurarmos nas entrelinhas veremos como nos impinge a vil propaganda sionista:

“Nos finais dos anos quarenta, o regime franquista quis estabelecer relações com Israel para deixar de ser um paria internacional depois da II Guerra Mundial. Israel não aceitou” – Pretende aqui, apresentar Israel como um pais que se opõe ao fascismo franquista. Nada mais distante da realidade, pois que, como pais artificial, recém criado, buscava apoios debaixo das pedras.

“A ausência de relações (entre Espanha e Israel) fazia suspeitar que o anti-semitismo não era coisa do passado”-Que terá que ver o mal usado e sempre recorrente anti-semitismo com a inexistência de relações entre Israel e Espanha?… Se Espanha não tivesse relações com Irão seríamos islamófobos, por acaso? Os sionistas sempre olhando-se o umbigo e acusando de anti-semitas a todos aqueles que critiquem Israel ou não tenha relações com eles.

“O que naquele momento suponha um desafio diplomático […] aparece hoje como algo óbvio indispensável para corrigir uma anomalia histórica” – Dá a entender que, como em Espanha se expulsou os judeus (e muçulmanos, não nos esqueçamos, que eram a maioria) faz 500 anos, devemos “ corrigir” reconhecendo um estado artificial criado à custa de outro a sangue e fogo.

“A cantora Noa foi alvo de varias campanhas de protesto porque, ainda que apoie o fim da ocupação da Cisjordânia, declarou que a invasão de Gaza de 2008 não teria acontecido se tivesse parado o lançamento de mísseis após a retirada israelita realizada três anos antes” – Realmente aqui a deturpação é total, uma vez que Noa (teríamos que lhe dedicar um artigo exclusivo) o que disse na sua “comovedora” carta dirigida aos palestinianos enquanto estes sofriam a “operação chumbo fundido” foi, resumindo, que: “Só posso desejar-lhes que Israel faça o trabalho que todos necessitamos que se faça”, referindo-se ao massacre que fez o seu exército em Gaza (mais de 1.400 pessoas mortas, entre eles, quase 400 crianças, mais de 4.500 feridos, mais de 30% das construções destruídas, entre casas, mesquitas, colégios, hospitais…). A carta mantém o mesmo estilo do princípio ao fim: exonera a Israel de toda a responsabilidade pelos bombardeios, atribuindo toda a culpa a Hamas. Acusa-os de “usá-los a vocês (os palestinianos) e aos vossos filhos como escudos humanos para os seus crimes e cobardia”, quando na realidade era o exército israelita quem o fazia, e existem sentenças de tribunais que o demonstram. Fala de “burkas” sem vir ao caso, visto ser um assunto que nada tem a ver com a Palestina… chora pelos soldados israelitas sequestrados e pelas crianças de Palestina, colocando-los ao mesmo nível… A tal carta não só é uma jóia literária, senão que em determinada altura chega a afirmar: “creio que Sharon estava no caminho certo. Poderia ter realizado grandes coisas e tenho pena que adoecesse antes de ter a oportunidade para fazer progredir Israel ainda mais. Não concordava com muitas das suas opiniões, mas as suas acções nos últimos anos foram na sua grande maioria positivas”. É importante ressaltar que apesar de colocar uma máscara de pacifista, e vá pregando a paz (com um significado insonso e vazio de conteúdo), esta “boa” mulher foi soldado no exército israelita, e o seu marido ostenta um alto cargo no IDF.

Continuemos com Diego de Ojeda…

“Israel é o único país da zona que não castiga a homosexualidad.” – Falso: nem no Líbano, nem em Turquia se perseguem os homossexuais… e quando caiam os regimes absolutistas árabes (se Israel e os E.U.A. consentirem), também não acredito que sejam perseguidos em outros países muçulmanos…

“O que não é correcto é tratar a Israel como o campeão mundial das violações de Direitos Humanos” – Se não querem ser assim considerados, não façam todo o possível por ganharem o título, parem de se fazer de vítimas e em vez disso façam uma verdadeira auto-crítica.

“É verdade que o milhão de árabes que vivem dentro de Israel, não recebem um tratamento idêntico ao dos seus compatriotas judeus, mas também é certo que a sua cultura e liberdade de culto são plenamente respeitadas, na teoria e de facto” – Falso: Existem numerosas leis de apartheid dentro de Israel:

A Lei do Retorno concede a todo o judeu o direito automático de imigrar para Israel e receber a cidadania, porém esta é negada a qualquer refugiado palestiniano expulso da sua própria terra.

- Lei da Propiedade Ausente (qualquer palestiniano que não se encontre em sua casa, pode perder o direito a essa habitação).

- Lei de Desenvolvimento da Autoridade (estratagema legal para proteger Israel de ser acusado de ter confiscado as terras palestinianas abandonadas e tudo o que estivesse nelas).

- Lei do Fundo Nacional Judeu (JNF); Lei da Aquisição de Terras (Validação de actos y compensações)

- Pacto entre o Governo de Israel e a Executiva sionista (também conhecida como Executiva da Agência Judaica para a Terra de Israel) – Acordo agrícola (Restrição agrícola do uso de terras e recursos de água aos palestinianos).

- E muitas outras: A entrega de terras palestinianas à Agência Judaica para as Terras de Israel (a qual impede a compra de terras a árabes-israelitas e facilita a aquisição aos judeus estrangeiros); Lei da Prescrição; Leis Básicas: Terras de Israel; Lei de Terras de Israel; Lei da Administração de Terras de Israel; Pacto entre o Governo de Israel e o Fundo Nacional Judaico

Além de estas leis, existem outras formas de apartheid, impedindo a entrada a determinados sítios a israelitas que não cumpriram o serviço militar, ou dando benefícios fiscais aos que o fizeram (o curioso é que os árabes-israelitas estão isentos de fazer o serviço militar: nunca são chamados).

Os colégios onde a maioria dos alunos são judeus são financiados por empresas privadas (sionistas), uma vez que o governo inverte muito pouco em educação. Por outro lado, as escolas de maioria árabe-israelita têm escassos recursos, e se algum filantropo saudita quisesse doar dinheiro, o governo israelita impediria apresentando uma desculpa qualquer… de esta maneira, favorecem que os judeus (sobretudo os brancos) atinjam os postos importantes na política, comunicação, defesa… enquanto que os palestinianos ficam com os trabalhos manuais…

É importante ressaltar que não respeitam a sua cultura ( dos árabe-israelitas), uma vez que exigem que os estudantes estudem o talmud e omitem a história e identidade palestiniana nos currículos escolares. Tudo isto refere-se aos palestinianos que vivem em Israel… dos direitos humanos nos territórios ocupados, melhor não falar…

“A melhor maneira de contribuir a que se aproveite o melhor da cultura judaica de tolerância, diálogo e conhecimento é intensificar as relações bilaterais […] com mais razão no caso de uma democracia, imperfeita como todas, mas uma verdadeira democracia, como a israelita.” – compara a “democracia” israelita com as europeias e chama ao diálogo. A principal diferença entre a “democracia” israelita e a nossa é que aqui os cidadãos vão ganhando direitos, especialmente as minorias… Em Israel, pelo contrário, com as leis antes comentadas, dificilmente irão polir tais “imperfeições”. Pelo contrário, são alterações para que Israel se transforme no estado judaico perfeito, para quem seja judeu…

Entre todos estes sionistas e Lieberman, não existe praticamente diferença nenhuma, excepto no estilo e forma de falar. Enquanto que Lieberman dirige-se com os seus discursos à direita, os outros (Simón Peres, Diego de Ojeda e Noa) tentam com a sua propaganda pseudo-conciliadora calar a esquerda europeia, utilizando palavras aparentemente amáveis e concessões aos palestinianos… acrescentam até alguma pequena crítica a Israel (Noa classificava de “ parvoíces” as atrocidades cometidas por seu pais, na referida carta aos palestinianos).

Autor: Ale Abuámer,
Originalmente publicado em http://www.tercerainformacion.es/spip.php?article22728
Tradução: sionismo.net

 

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