“Jerusalém no Alcorão”, de Imran Hosein

O professor Imran Nazr Hosein é o autor de um livro intitulado “Jerusalém no Alcorão” (“Jerusalem in the Quran”). Trata-se de uma tese académica islâmica, rica em documentação histórica e religiosa, de leitura obrigatória para os investigadores, muçulmanos ou não, interessados em aprofundar o tema. No final do artigo existe uma hiperligação que permite baixar o livro em formato pdf, gentilmente posto à disposição do público pelo seu autor.

Apesar de um pouco fora do contexto da nossa linha editorial, aqui publicamos a tradução do prefácio,  escrito por Malik Badri do International Institute of Islamic Thought and Civilization da Malásia, sem comentários, para reflexão e eventual incentivo à sua leitura:

“Jerusalém no Alcorão” ( “Jerusalem in the Qur’an”) é um livro estupendo que me emocionou e encantou de diversas maneiras. Surpreende-me que um livro tão meticulosamente documentado tivesse que esperar tanto tempo para ser publicado. Passou mais de meio século desde que os sionistas começaram a terrível opressão e limpeza étnica do povo palestiniano (br. palestino) cuja única ofensa é viverem num país considerado pelos judeus como a sua prometida Terra Santa.

Os sionistas têm sistematicamente distorcido as escrituras da Tora e outro material bíblico para justificarem suas atrocidades e para motivarem os judeus a estabelecerem um estado de Israel do Nilo até o Eufrates, tendo Jerusalém como capital.

Jerusalém no Alcorão

Por exemplo, David Bem Gurion, primeiro primeiro-ministro de Israel, é citado por ter afirmado que “a Bíblia é o que impulsiona a nossa ação na terra de Israel”. Por outro lado, os estudiosos muçulmanos têm falhado ao refutar as alegações sionistas com fontes históricas e religiosas autênticas e também não conseguiram cumprir a sua responsabilidade religiosa em documentar com transparência esta questão com o Alcorão e as Tradições Orais (Ahadith) do profeta (saws). Tanto quanto é do meu conhecimento, sempre se tem escrito sobre esta matéria de um modo bastante superficial e emocionalmente contaminado ou simplesmente mencionando factos de uma forma leviana.

Deve ser mencionado contudo que a importância de escrever um livro sobre a Terra Santa no Alcorão não escapou à visão de longo alcance de intelectuais muçulmanos criativos, tal como o Dr. Kalim Siddiqui, fundador e presidente do “Muslim Institute for Research and Planning” e do professor Ismail Al-Farouqi. Estou surpreendido que o antigo académico tenha pedido a Imran Hosein para escrever este livro em 1974. Ele sugeriu-lhe que Jerusalém é a chave para entender o processo histórico do Médio-Oriente e do mundo em geral. Shaykh Imran cumpriu com sucesso essa tarefa vinte e sete anos mais tarde. Aparentemente tardia, mas no momento correcto, quando o mundo inteiro está chocado por Jenin e com o ocorrido em Sabra e Shatila.

Ismail Al Faruqi escreveu sobre esse assunto no livro “Islam and the Problem of Israel”, que o autor refere. Ele enfatizou que Israel apresenta um perigo maior para os muçulmanos que as cruzadas europeias da Idade Média ou o euro-colonialismo nas tempos modernos. Israel, escreveu, não é como nenhum desses perigos do passado, mas como ambos juntos e mais, muito mais. Ele exortou os árabes e muçulmanos a não aceitarem o estado judeu como parte integrante das nações de Ásia e África. Também incentivou os académicos muçulmanos a investigar este assunto em profundidade. Acredito que se estes pensadores estivessem vivos teriam aclamado este livro como algo a que eles aspiravam.

Estes são os tempos em que as profecias do sagrado Alcorão e as benditas tradições do profeta (hadith) estão a desenrolar-se diante de nós.

Estou surpreendido pelo estilo literário de Imran. Embora “Jerusalém no Alcorão” seja uma tese meticulosamente escrita, combinando documentação histórica e religiosa com acontecimentos políticos recentes e profundas interpretações do Alcorão e Hadith, desenvolve-se como uma novela. Assim que começamos a ler é difícil parar. Essa é a característica geral das novelas; lê-se o livro e colocamo-lo na prateleira, mas não com uma séria dissertação como o texto de Sheykh Imran. É uma referência para ser lida e relida sempre que exista necessidade de investigar o assunto. Acredito que a eloquência do Shaikh resulta de um dom natural que interage com o seu infatigável trabalho como pregador e uma Bênção Divina pela sua sinceridade.
Finalmente, apesar da aparentemente deprimente situação em que se encontram os muçulmanos em geral e os palestinianos em particular, a leitura deste livro traz uma calorosa onda de optimismo quanto ao futuro; uma luz que brilha no final do longo e escuro túnel da nossa história. Estamos vivendo os últimos tempos. Estes são os tempos em que as profecias do sagrado Alcorão e as benditas tradições do profeta (hadith) estão a desenrolar-se diante de nós para provar à humanidade a veracidade da nossa fé.

Exatamente como o nosso profeta nos ensinou, estamos assistindo a pobres pastores descalços a competir entre si na construção de cada vez mais altos arranha-céus. E estamos sendo testemunhas do crescimento em número dos muçulmanos mas diminuição do seu carácter devido ao apego ao mundo material (dunyah) e ao seu medo à morte, confirmando a autenticidade das tradições (hadith). E tal como o nosso profeta nos transmitiu, os grandes inimigos do Islão (br. Islã) estão devorando os nossos países como um faminto grupo convidado para uma grande panela de comida. E como Deus Todo-poderoso nos disse na revelação do Sagrado Alcorão, os Filhos de Israel, que foram espalhados pela Terra durante a sua Diáspora, retornam à Terra Santa; e como é lembrado no Alcorão, eles estão realmente comprometidos com a corrupção e tornaram-se poderosos e arrogantes.

Tal como temos vindo observando estes incidentes, como se estivéssemos assistindo a um filme de terror, também certamente veremos o seu final feliz, o qual nos foi profetizado no Alcorão e nos ensinamentos do nosso profeta. Os muçulmanos despertarão do seu torpor e os judeus receberão o prometido castigo Divino. O estado sionista será destruído e tudo o que eles construíram cairá por terra.

O livro oferece uma bela e detalhada exposição destes episódios, acompanhada de brilhantes interpretações do Sagrado Alcorão e da Sunnah.

Apesar de alguns poderem não coincidir com algumas de suas interpretações dos versículos do Alcorão (Corão) e dos ensinamentos do Profeta, ninguém deixará de apreciar o seu pensamento penetrante e a sua profundeza espiritual. Recomendo vivamente a leitura deste livro a investigadores e leigos.

Malik Badri
Dean,
International Institute of Islamic Thought and Civilization,
Kuala Lumpur.
Malaysia

Tradução: sionismo.net

Download Jerusalem in the Quran ENGLISH (2Mb)

 

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2 Responses to “Jerusalém no Alcorão”, de Imran Hosein

  1. pedro 29/08/2012 at 18:09 #

    muito bom mesmo para esses que querem ter uma visao clara do que esta a passar no medio oriente…
    esperamos uma edicao em português.

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  1. Jerusalém.Sionismo.net - 13/01/2013

    […] Jerusalém não foi fundada pelos israelitas, nem por judeus, mas sim por Jebuseus, um dos povos cananeus que […]

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