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Palestinos e judeus na História. As boas relações históricas dos muçulmanos com as comunidades judaicas

Excetuando a presente época,  as relações entre o mundo árabe e muçulmano e as comunidades judaicas sempre foram muito boas. Nunca existiu qualquer espécie de discriminação nem desrespeito pelos direitos humanos. Pelo contrário, os judeus sempre foram bem-vindos nos momentos de adversidade e protegidos durante o apogeu árabe, onde se desenvolveram conjuntamente.  

Veja-se, por exemplo, o notável nível de desenvolvimento da comunidade judaica em Espanha e Portugal durante a época de domínio muçulmano do Al-Andalus (Sefarad), A sua expulsão pelos Reis Católicos em 1492 e consequente acolhimento benevolente e amistoso no Califato Otomano (muçulmano).

Judeus sefarditas

Judeus sefarditas

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Jerusalém.

Verifico que sempre existiu um enorme desconhecimento sobre a história da Palestina, especialmente sobre a cidade de Jerusalém.

Seguem algumas aclarações:

1- Jerusalém não foi fundada pelos israelitas, nem por judeus, mas sim por Jebuseus, um dos povos cananeus que constituem a estirpe palestina, faz 4200 anos. O Rei David conquistou-a 1200 anos depois.

Jerusalém - Cúpula do Rochedo

2- Jerusalém como  capital de Israel só existiu 70 anos em 4200 anos de História da Terra Santa, até o estabelecimento do moderno Estado de Israel, fundado em 1948. Jerusalém não é a capital histórica de Israel. Continue Reading →

Surgimento e formação do sionismo (1ª parte):

Sionismo: Cultura e Política.

Semanticamente, sionismo refere-se a dois aspectos: o político e o cultural. A cultura sionista surgiu antes da invasão israelense da Palestina. Este tipo de sionismo contradiz a imigração judaica para Palestina, bem como a fundação de Israel.

O sionismo, como movimento político, surgiu e desenvolveu-se após a Segunda Guerra Mundial. A atividade dos dirigentes deste movimento intensificou-se na última década del siglo XIX. No início da Primeira Guerra Mundial e depois da redação da “Declaração Balfour”, em novembro de 1917, o Reino Unido estabeleceu uma pátria para os sionistas.

As reivindicações judaicas de formar um estado judaico na Palestina baseiam-se  numa promessa divina de retorno à Terra Prometida. Herzl, fundador do sionismo político, considera tal promessa como um esforço para alcançar os objetivos do sionismo e uma vocação profética. Em 1897, no Congresso Sionista em Suíça, os estados ocidentais enfatizaram o direito histórico dos judeus colonizarem a terra prometida, para que a promessa divina se cumpra. Continue Reading →

Entrevista ao historiador israelita Shlomo Sand.

O historiador israelita Shlomo Sand questiona vários dos mitos oficiais do sionismo no livro “Quando e como se inventou o povo judeu“.

 

Shlomo Sand, professor de História da Europa na Universidade de Tel Aviv, publicou o polêmico livro “Quando e como se inventou o povo judeu”, onde questiona alguns princípios da história sionista oficial.

As teses que defende Shlomo Sand mantiveram o seu livro em diversas listas internacionais dos mais vendidos durante um longo período de tempo.

O livro manteve-se várias semanas na lista dos mais vendidos em Israel. Por isso, Shlomo teve que pagar o preço de receber ameaças e insultos anónimos, chamando-lhe kelev natzi masria (cão nazi mal-cheiroso) e outras. Contudo, não parece muito preocupado. O livro contém duas teses que no passado tiveram certa aceitação entre historiadores sionistas, mas que atualmente se encontram arquivadas: que os atuais judeus proveem  de povos pagãos que se converteram ao judaísmo longe da Palestina, e portanto não descendem dos antigos judeus, e que os palestinianos árabes são os únicos descendentes dos antigos judeus. Continue Reading →

“A invenção do povo judeu”, de Shlomo Sand.

“A invenção do povo judeu”: Uma religião proselitista.

O mito fundamental do sionismo é o retorno do povo judeu à sua terra. Segundo esse mito, o povo israelita soberano foi conquistado, exilado e espalhado pelo mundo, mantendo-se marginalizado e unido, inspirada pela lembrança da sua antiga soberania. No final do século XIX, o povo judeu iniciou o seu retorno, que culminou na dramática criação do Estado de Israel em 1948, cumprindo um desejo com dois milénios de antiguidade. O historiador da Universidade de Telavive, Shlomo Sand, no seu notável livro “A invenção do povo judeu”, explora o trabalho académico passado, para refutar a historiografia sionista, ressaltando o seu caráter mitológico e em vez disso nos conta a história de uma minoria religiosa e do seu credo oscilando entre o proselitismo e a conversão, sujeita às mesmas forças sociais que afectam qualquer outra minoria religiosa. Continue Reading →