Entrevista a Álvaro de Azevedo Moura do Projeto Itinerante de História, Arte e Cultura “Minerarte” e do “Museu das Três Culturas”

Álvaro de Azevedo Moura (1), do  Projeto Itinerante de História, Arte e Cultura  – Minerarte e do “Museu das Três Culturas” concedeu-nos uma entrevista, onde esclarece alguns tópicos sobre o sionismo e o judaísmo sefardita.

Sionismo.net:
Álvaro de Azevedo Moura, você é um estudioso de temas relacionados com o al-Andalus, judaísmo e sufismo medieval na Península Ibérica, além de se dedicar a actividades de recriação histórica e dirigir um Museu itinerante de temática medieval. O que é Minerarte?

Álvaro de Azevedo Moura:
O Museu Itinerante de Arte e Cultura Medieval (MINERARTE) é um projecto que promove exposições itinerantes de temática medieval em distintos pontos da geografia ibérica. Uma das principais exposições por nós produzidas é “As Três Culturas”. Em parceria e estreita colaboração com Minerarte estão o Museu das Três Culturas e o Grupo de Recriação Histórica al-Morabitun, o qual se dedica a recriar diversas épocas da história destas terras, montamos e  recriamos um acampamento almorávida e uma aldeia rural de judeus sefarditas, entre outras.

Sionismo.net:
O que são “As Três Culturas”?

Álvaro de Azevedo Moura:
São os três credos, as três culturas que conviveram e coabitaram no espaço peninsular desde os tempos do al-Andalus e durante os primórdios dos reinos cristãos: cristãos (moçárabes, visigodos, romanos, arrianos, cristãos-novos, etc.), judeus sefarditas e muçulmanos (berberes, muladis, almorávidas, almóadas, árabes, mouriscos, mudéjares).

Sionismo.net:
Afirma que conviveram e coabitaram, mas hoje em dia é opinião quase generalizada que essas culturas sempre viveram em guerra…

Álvaro de Azevedo Moura do projeto itinerante de história, arte e cultura e do museu das três culturas

Álvaro de Azevedo Moura:
Existem registos de comunidades hebraicas na Península Ibérica em finais do Império Romano. Enquanto praticavam o cristianismo unitário arrano, os visigodos conviveram em harmonia com os judeus. Após a conversão do rei visigodo Recaredo ao catolicismo, no ano 586, tudo mudou. Originou-se uma guerra civil entre os visigodos – católicos de um lado e unitários do outro – e começaram as perseguições aos judeus por parte dos católicos. Durante mais de cem anos os judeus peninsulares foram sujeitos a leis desfavoráveis. Em 711 Berberes islamizados e judaizados entram e avançaram dentro da Península Ibérica, com a ajuda de tribos visigodas adeptas do cristianismo unitário ariano e judeus sefarditas;  começa um longo período de convivência em paz e tolerância para os três credos. Para os judeus começou a chamada Época Dourada, que teve o seu auge durante o Califado de Córdova e durante os reinos Taifas.

 

Sionismo.net:
Mas os invasores muçulmanos estavam no poder…

Álvaro de Azevedo Moura:
Não é correcto falar em invasores muçulmanos, a maior parte dos muçulmanos do al-Andalus eram muladis, ou seja eram cristão visigodos ou romanos convertidos ao islão, outros eram judeus islamizados, muitos eram berberes e alguns eram descendentes de árabes. Os visigodos que não se islamizaram, os moçárabes, falavam árabe – a língua mais culta e erudita da época – e vestiam como os muçulmanos. Também os judeus falavam árabe e hebreu e a sua indumentária não se diferenciava do resto dos habitantes. Todos obedeciam e prestavam vassalagem ao Califa, que era simultaneamente líder espiritual e temporal para os três credos.

Sionismo.net:
Conta-se que D. Afonso Henriques e os cruzados que o acompanharam, quando conquistaram Lisboa mataram os cristãos que aí viviam juntamente com os muçulmanos.

Álvaro de Azevedo Moura:
Afonso Henriques era descendente de estrangeiros por parte do pai, era menos luso que a maioria dos “mouros” e cristãos com os quais lutou durante as suas conquistas. Também parte das tropas que o acompanhavam não eram lusitanas, estavam compostas de cruzados e outros mercenários estrangeiros. Não foi uma reconquista, hoje em dia em muitas das mais respeitáveis Universidades de Europa considera-se um erro utilizar o termo “reconquista”. Foram conquistas e em muitos casos bárbaras invasões. Um dos cruzados que acompanhava D. Afonso Henriques escreveu nos seus diários sobre o “milagre de Lisboa”. Segundo ele, durante a conquista de Lisboa, os “mouros” antes de morrer faziam o sinal da cruz, “prova” de que se tinham convertido ao cristianismo. Desconhecia ele que os supostos “mouros” eram cristãos moçárabes que vestiam e falavam como os muçulmanos…

Sionismo.net:
E durante os reinos cristãos, como se toleravam os três credos?

Álvaro de Azevedo Moura:
No final do século XI e princípios do século XII os reinos cristãos conseguiram avances territoriais significativos. Os judeus ocuparam cargos públicos, especialmente colectores de impostos. A medicina e o conhecimento da língua mais erudita da época, o árabe, permitiu-lhes acederem às Cortes. Os muçulmanos, os mouros, constituíam o povo, juntamente com os descendentes dos moçárabes. A nobreza era constituída por descendentes dos visigodos católicos que se tinha refugiado em Astúrias e por descendentes de nobres estrangeiros (francos, cruzados, mercenários, etc.). Em finais do século XII começa a deteriorar-se a tolerância e convivência pacífica entre cristão, judeus e muçulmanos. Em 1391 os católicos assaltaram a judiaria de Sevilha, causando muitas mortes. A chacina estendeu-se por toda a Península. Por isso muitos judeus pediram o batismo, o que originou um enorme número de convertidos forçados (cristãos-novos). A maior parte continuava a praticar a sua fé em segredo (cripto-judeus ou marranos). Finalmente os Reis Católicos de Espanha criaram a inquisição espanhola, para perseguir e condenar a todos os cristãos-novos suspeitos de praticar o judaísmo. Em Portugal, D. Manuel I impôs aos judeus a conversão ou expulsão, pressionado pelos Reis de Espanha. Foi o fim do projeto das “Três Culturas” na Península Ibérica, que se transladou para o Califado Otomano. Um especial destaque e homenagem a dois monarcas cristãos, protetores das Três Culturas: D. Dinis, o Lavrador e o seu avô, rei de Castela, D. Alfonso X, o Sábio. Há quem defenda que grande parte dos primeiros Reis de Portugal eram iniciados de Ordens Tradicionais e sua missão principal foi preparar o caminho daquilo que mais tarde foi designado como o “V Império”, o Império do Espírito Santo, o qual tem muito a ver com o projeto medieval das “Três Culturas”. Com a derrota de Alcácer Quibir perdeu-se essa linhagem de Reis-Iniciados e o trono teria sido ocupado por “profanos”. Nasceu então o  “sebastianismo”, profecia de carácter nacional, com fortes raízes no judaísmo (Messias), no cristianismo (reis-iniciados, Preste João, retorno de Jesus Cristo, etc.) e no islamismo (califa dos três credos, Mahdi, regresso do profeta Jesus, etc.). O “V Império”, também denominado como “Terceiro Reino” ou “Reino do Espírito Santo” (o 1º foi o do “Pai” e o 2º o do “Filho”) seria o renascer das Três Culturas a nível global. São teorias, profecias e propostas ainda com bastante aceitação nos círculos relacionados com os movimentos da Renascença Portuguesa e da Filosofia Portuguesa, entre outros.

Sionismo.net:
Os meios de comunicação atuais falam com frequência numa rivalidade antiga entre muçulmanos e judeus…

Álvaro de Azevedo Moura:
Nada mais falso. Jamais existiu essa rivalidade. Os judeus sempre procuraram os muçulmanos para se protegerem. Repare, quando os judeus sefarditas foram expulsos de Espanha e de Portugal para onde se dirigiram? Para o Norte de África (Magreb) e para o Califado Otomano. Essa rivalidade foi fabricada por políticos da atualidade. Os judeus sempre procuraram a proteção dos muçulmanos e os muçulmanos, desde os tempos do profeta que procuram a conversão e companhia de judeus. Quem são afinal os semitas?

Sionismo.net:
Segundo o historiador Shlomo Sand são os palestinianos…

Álvaro de Azevedo Moura:
Quanto a isso não há dúvida. As teses que Sand trouxe ao conhecimento do público em geral são bastante antigas. Até determinada altura temas como o proselitismo judaico ou a questão da conversão dos Cázaros eram teses aceites pelos historiadores sionistas. Shlomo caiu em desgraça aos olhos sionistas porque: 1º é judeu israelita não sionista, 2º desenterrou teses “malditas” e tabus, 3º ousou concluir que os verdadeiros descendentes dos judeus bíblicos são os palestinianos. Um candidato à fogueira. (risos)

Sionismo.net:
Concorda então que sionismo e judaísmo são coisas distintas?

Álvaro de Azevedo Moura:
Sionismo é um movimento político contemporâneo – e não se pense que é somente um assunto relacionado com Israel, Palestina ou o Médio-Oriente – não tem o mínimo fundamento histórico, religioso ou tradicional. Judaísmo é a mais antiga das formas religiosas abraâmicas que conhecemos. O sionismo tem tanto a ver com o judaísmo como a inquisição católica tinha a ver com o cristianismo genuíno original – absolutamente nada!

Sionismo.net:
Certas tendências sionistas apresentam-se como religiosas e fundamentam as suas teses em textos bíblicos e escatológicos…

Álvaro de Azevedo Moura:
São grupos sionistas fundamentalistas, políticos e pseudo-religiosos. Baseiam e limitam a sua religiosidade aos textos talmúdicos, pondo de parte a Tora ou Torá (Torah ) – os cinco primeiros capítulos do Antigo Testamento – que é o texto sagrado do judaísmo  Para essa gente o Messias é Israel, confundindo e pervertendo toda a mensagem profética. Os textos bíblicos e escatológicos são precisamente a prova final da invalidez das teses sionistas.

SionismoNet:
Não teme que o acusem de antissemitismo em virtude das suas posições antissionistas?

Álvaro de Azevedo Moura:
Desde a invenção do sionismo político até meados do século passado que os principais grupos opositores ao sionismo estavam dentro da comunidade judaica.  Judaísmo, semitismo e sionismo são termos independentes. Judaísmo é uma religião, semitismo relaciona-se com unidades raciais, linguísticas e culturais e sionismo é um movimento político. Se analisarmos com um pouco mais de profundidade,  sionismo é oposto ao verdadeiro judaísmo pois contraria certos fundamentos da Torah. Antissemitismo é um problema antigo na história da humanidade; na atualidade este se traduz na islamofobia. A maior parte dos grupos e pessoas que na atualidade promovem e defendem a islamofobia, estão direta ou indiretamente relacionados com o sionismo, o que me leva a concluir que hoje em dia os antissemitas são sionistas, apesar de nem todos os defensores do sionismo partilharem destas ideologias racistas e antissemitas.  Apesar de tudo, uma arma comum da dialética sionista é acusarem de antissemitismo quem se opõe às tese sionistas, mas isso deve-se a uma elaborada manobra de distorção da realidade, única maneira de manterem um discurso com um mínimo de aparente e ilusória coerência e de justificarem o injustificável. Precisamente um dos objetivos de Minerarte, da Sociedade “As Três Culturas” e do nosso grupo de recriação histórica é promover uma correta e pacífica convivência inter-religiosa e inter-cultural através da divulgação e vivência da história de uma maneira consciente e responsável que conduza os participantes e o público a conclusões e estados opostos àqueles promovidos por antissemitas, islamófobos e sionistas.

SionismoNet:
Qual a sua opinião sobre as teses revisionistas do holocausto nazi?

Álvaro de Azevedo Moura:
Não disponho de suficientes dados para poder discutir essas teses. Se esses horrores foram realmente cometidos, não interessa se o número de vítimas foi seis milhões ou seis mil, trata-se de um grave crime contra a humanidade. O problema reside no facto de que investigar esse tema com seriedade e de maneira objetiva está proibido. Os sionistas nunca conseguiram apresentar provas contundentes sobre os métodos utilizados no genocídio nem justificar com claridade o hipotético número de vítimas de seis milhões de judeus. Não tenho dados suficientes para afirmar ou negar que tal tenha acontecido. Existem contudo determinados tópicos comprovados:

1º – Existiram cerca de 70 milhões de vítimas na II Guerra Mundial, entre judeus, alemães, ciganos, americanos, polacos, russos, italianos, britânicos, etc, etc. A maior parte destas pessoas morreram queimadas vítimas de bombardeios executados por ambas as facções rivais. Isso foi um autêntico Holocausto.
2º – Muitos dos académicos, historiadores, jornalistas e investigadores que questionaram o holocausto, as execuções massivas por câmaras de gás, as cremações e o número de vítimas normalmente referido (6 milhões) foram condenados a penas de prisão e a pesadas multas. Isto é algo único nos anais da investigação histórica apesar de muitos destes “criminosos” estarem unicamente interessados na investigação, sem quaisquer objetivos de ordem política. Por algum motivo, certos lobbys sionistas conseguiram que esteja proibido investigar esta fase da história da humanidade. Por exemplo, recolher amostras das paredes das supostas câmaras de gás para análise laboratorial está proibido.
3º – O holocausto nazi tem sido explorado até à exaustão por parte de alguns movimentos sionistas para justificarem toda a espécie de atrocidades, atos violentos e terrorismo que têm vindo a promover no Médio-Oriente.
4º – Algumas organizações sionistas têm sido as beneficiárias das enormes indemnizações que alemães, suíços e polacos têm pago, e que em princípio estariam destinadas às vítimas do holocausto. Essa é a multimilionária indústria que o professor Finkelstein tão magistralmente descreve em “A Indústria do Holocausto”.
5º – A História sempre é escrita pelos vencedores…

SionismoNet:
Acredita que existe esperança de Paz para o Médio-Oriente?

Álvaro de Azevedo Moura:
Claro que existe esperança de paz para o Médio-Oriente e para todo o planeta. Estudar e reviver o passado das “Três Culturas” é, mais do que esperança, a certeza de que outro mundo é possível.

Fonte: sionismo.net

(1)  Álvaro de Azevedo Moura é militar de carreira, oficial dos Quadros Permanentes da Armada, na situação de reforma ordinária. É licenciado em Ciências Militares Navais pela Escola Naval Portuguesa. Também cursou estudos superiores de Matemática Aplicada, Segurança Informática, Gestão de Recursos Humanos e outros, em Portugal e nos Estados Unidos da América. É o responsável de WebSalam – Activismo Digital e do Museu Itinerante de Arte e Cultura Medieval (Minerarte). Vive em Estremoz, Portugal com a sua esposa e quatro dos seus cinco filhos.

9 Responses to Entrevista a Álvaro de Azevedo Moura do Projeto Itinerante de História, Arte e Cultura “Minerarte” e do “Museu das Três Culturas”

  1. 11/10/2011 at 20:16 #

    Não é verdade que D. Afonso Henriques tenha mandado matar os cristãos de Lisboa ou que o “cruzado” estrangeiro “estivesse matando cristãos moçárabes” . A carta do Cruzado Osberno, que é A FONTE sobre a conquista de Lisboa, diz taxativamente que, durante as negociações da rendição da cidade, D. Afonso Henriques “favorecia os reféns” (mouros) sobre o desejo de saque dos cruzados; que o bispo moçárabe foi morto pelos flamengos; que a população, despojada dos seus bens, “desde Sábado pela manhã até quarta feira seguinte, saiu ininterruptamente por três portas, pareceram uma tão grande multidão de gente como se toda a Espanha houvesse vindo ali”; e que posteriormente os “mouros” morreram aos milhares, sim, mas de peste.

    A Reconquista tem esse nome (e continua a ser assim designada) porque as terras em causa tinham sido cristãs, tal como Ceuta,de onde vinha o conde Julião (que provavelmente até nem era visigodo “ariano” mas sim romano-bizantino). Nunca a Reconquista foi considerada com “tomada de terra alheia” mas recuperação de terra cristã tomada pelo invasor.

    Gostaria que este meu comentário fosse aqui publicado, caso contrário ficarei com a impressão de que esta página serve apenas para propaganda política e não é séria.

    • os editores 11/10/2011 at 22:03 #

      Sr. Zé,
      O conde Julião (Yulián, Olbán, Urbán ou Urbano) era visigodo ariano, ou seja, era praticante das doutrinas do cristianismo ariano (ou arriano), seguidores de Arius, bispo de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva e defensor do unitarismo (em oposição às teorias trinitárias) e consequentemente oposto à divindade da pessoa de Jesus Cristo.
      http://www.biografiasyvidas.com/biografia/j/julian_conde.htm
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Arianismo
      Possivelmente você não leu devidamente a entrevista pois que o entrevistado nem refere o governador de Ceuta. Tariq (antigo escravo berbere judeu e posteriormente “general” convertido ao Islão) foi auxiliado no avance das suas tropas por muitas mais pessoas que o conde Julião. A entrada em Toledo, por exemplo, foi auxiliada pelos judeus que aí viviam…
      Qualquer um sabe o significado da palavra “reconquista”. O que o Comandante Azevedo Moura afirma na entrevista é que esse termo está sendo revisto no meio académico. Isso qualquer estudante do ensino secundário de algumas comunidades autónomas de Espanha sabe. Existe actualmente um grande número de teses universitárias sobre esse tema. Muitos dos panfletos turísticos do Vale do Ebro de Espanha, zona de forte presença muçulmana no al-Andalus e posteriormente no reino de Aragão têm sido reeditados para substituir a palavra reconquista por conquista. É um tema muito discutido na atualidade nos meios académicos europeus e não só.
      http://www.webislam.com/pdf/pdf.asp?idt=10297
      Relativamente à carta do cruzado, aconselhamos-lhe que a leia. Poderá encontrá-la aqui: http://www.arqnet.pt/portal/pessoais/cruzado_lisboa.html, onde poderá verificar e comprovar o que foi referido na entrevista.
      Um excelente estudo sobre a carta do cruzado pode encontrá-lo em http://www.ricardocosta.com/pub/emportugal.htm

  2. Jaime 14/10/2011 at 02:16 #

    Porquê as “três culturas” e não as quatro (ou cinco)?
    Também existiam os chamados pagãos que não eram cristãos, muçulmanos ou judeus…
    Gostei dos cinco tópicos comprovados sobre o holocausto. E não há dúvida que a História foi escrita pelos vencedores.

  3. Leão de Sião 14/10/2011 at 03:11 #

    @ Jaime: são três culturas efectivamente como o tipo da entrevista afirma.
    São as três culturas ou credos do Livro que coexistiam na época medieval.
    Claro que existiam outros cultos marginais, mas estavam sempre relacionados com alguma das três culturas principais. Existiam curandeiras, feiticeiras, alquimistas, seguidores de outras divindades,etc., mas estavam sempre integrados numa das três culturas mencionadas.
    @ Zé: até parece que estás comentando outro artigo. Melhor fumar menos disso, valeu?
    @ editores: não venham dar o ban agora, que estou sendo legal.

  4. Jaime 15/10/2011 at 14:01 #

    ok, mas parece que por vezes existe a tendência de esquecer as outras culturas, aquelas que não derivam das religiões monoteístas

  5. 16/10/2011 at 00:24 #

    Srs editores,
    Como a minha anterior resposta não foi publicada, volto a deixa-la aqui:
    Se tivessem lido com atenção o link que me enviaram, teriam lido, relativamente ao Conde Julião, que “Su identidad real permanece envuelta en el misterio, pues ni siquiera se sabe si era godo, bizantino o beréber”. Portanto, a vossa afirmação de que ele “era visigodo ariano” é historicamente fantasiosa. Pura e simplesmente não se sabe quem ele era, e muito menos que religião professava.

    Quanto às teses de que “não houve Reconquista”, essas são da lavra do Olagüe e do Gonzalez Ferrín as quais são actualmente encaradas pela esmagadora maioria da comunidade científica como meras invenções politizadas. É verdade que esse tipo de historiografia tem seguidores, não por motivos científicos mas por motivos políticos (tal como a tese do paraíso inter-confessional do al-Andaluz, inventada por Heinrich Graetz,a qual serve actualmente os propósitos dos defensores do multiculturalismo e dos anti-sionistas), mas o que importa esclarecer é que aqueles autores não têm muito crédito na comunidade científica actual e o termo Reconquista, ao contrário do que V.Exas afirmam, continua a ser amplamente utilizados nos meios académicos internacionais.

    Quanto à carta do cruzado a Osberno, a mesma consta da minha biblioteca pessoal e foi dela que extraí as citações. Mais uma vez, se V.Exas lessem os link que me enviaram, poderiam confirmar que é falsa a afirmação de que “D. Afonso Henriques e os cruzados que o acompanharam, quando conquistaram Lisboa mataram os cristãos que aí viviam juntamente com os muçulmanos.” Muito pelo contrário, D. Afonso protegeu os sitiados e os desmandos por parte dos cruzados foram localizados e não generalizados. As mortes em larga escala, como está patente na carta, deveram-se a uma epidemia.

    • Fernando Jorge 16/10/2011 at 01:41 #

      Caro Sr. Zé,
      Não entendo porque continua com a conversa sobre a carta do cruzado. Possivelmente leu a entrevista na diagonal e está escrevendo por escrever ou seja lá qual é a sua intenção.
      Em nenhuma parte da entrevista o entrevistado afirma que “D. Afonso Henriques e os cruzados que o acompanharam, quando conquistaram Lisboa mataram os cristãos que aí viviam juntamente com os muçulmanos”. Essa frase é uma questão que coloca o entrevistador, vem antecedida por “conta-se […]” e não foi confirmado pela pessoa que é alvo da entrevista. Não é a causa da morte que é discutida, mas outra coisa. O que o entrevistado afirmou foi que o cruzado desconhecia que os supostos “mouros” convertidos eram cristãos.
      Como você diz que leu, mas eu duvido, pois já demonstrou que diz que lê mas não lê, aqui está o que o cruzado escreveu:

      A situação miserável dos mouros:
      Sobreveio seguidamente uma peste tão grande entre os mouros que pelas vastidões dos ermos, pelas vinhas e pelas aldeias e praças, bem como pelas casas em ruínas jaziam inúmeros milhares de cadáveres à mercê das feras e das aves; os que ainda tinham vida, semelhantes a fantasmas que andassem errantes à face da terra, abraçavam-se ao sinal da cruz e beijavam-no, confessavam que Maria, cheia de bondade, é a bem-aventurada Mãe de Deus, de tal modo que em tudo o que fazem ou dizem, mesmo nos momentos extremos, misturam invocações a Maria boa, boa Maria e lhe dirigem apelos angustiados.”

      Quanto à identidade do tal conde, também não entendo porque continua com esse tema. O entrevistado em nenhuma parte do texto menciona sequer o conde. Como o senhor não quer ler a entrevista, só está interessado em escrever comentários, aqui lhe cito o que foi afirmado:

      “Em 711 Berberes islamizados e judaizados entram e avançaram dentro da Península Ibérica, com a ajuda de tribos visigodas adeptas do cristianismo unitário ariano e judeus sefarditas”

      Quanto ao que afirma sobre a “Reconquista”, permita-lhe que lhe diga que só demonstra rigidez mental e ignorância das tendências académicas sobre o tema. Dizer que se deveria substituir o termo “reconquista” por “conquista” na época franquista e salazarista poderia ter penosas consequências para o proponente. Contudo, a boa notícia é que efectivamente a palavra “reconquista” está caindo em desuso. Quanto às “meras invenções politizadas” e a não aceitação de tais teses pela “esmagadora maioria da comunidade científica” só demonstra que o seu círculo académico é muito reduzido e de baixa qualidade, ou está motivado por alguma estranha aversão aos “defensores do multiculturalismo e […] anti-sionistas”.

      Convido-o a discutir estes temas directamente com o entrevistado. Poderá encontrar a direcção de correio electrónico da entidade que dirige no site da mesma e tentar um contacto directo com ele.

      Fernado Jorge, em nome de SionismoNet.

  6. orações 16/12/2012 at 14:16 #

    Curtido e compartilhado :D

  7. A paz de Cristo 16/12/2012 at 21:01 #

    Cara … Que Deus te fortaleça

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